Sedução fatal, de Lisa Scottoline
Minha opinião sobre cada ponto da estória – spoilers abaixo (o livro é antigo, mas tenho que avisar sobre spoiler; isso não é nada, já vi pessoas reclamando sobre spoilers da Bíblia)
▪︎ Anthony
Embora já tivesse sido apresentado na estória como "gay", algo já me dizia que Anthony formaria um par romântico com a protagonista. Quero dizer, Mary estava solteira, ainda sonhava em constituir uma família, e tinha um cara ao seu lado que apreciava a sua presença e a apoiava.
Era quase óbvio que aconteceria algo entre os dois, apesar de que, como a estória não é focada em romance, o relacionamento entre os dois tenha sido descrito de modo tão raso. Sim, mesmo com as minhas desconfianças, tenho de admitir que fiquei quase tão surpresa quanto Mary quando Amthony negou que seria gay.
▪︎ O truque do roteiro
Existem certos pontos de uma estória que fico com desconfianças acerca de um enredo, ou personagem, que nem sempre consigo acertar. Como se trata de uma estória sobre investigação, provavelmente teria o clássico tema "quem matou", o que levou a minha imaginação para alguns personagens, especialmente a própria delatora do falecido abusador, ou uma de suas amigas.
Da forma como o falecido era descrito por algumas pessoas que o conheceram no passado, e até mesmo nas lembranças de Mary, alguma coisa me dizia que toda a estória contada por Trish poderia ser uma farsa e que, talvez, o inocente entre o casal fosse ele, e não ela. Contudo, pensar assim não fazia mais sentido, não somente pelas marcas de agressão que Trish mostrou a Mary, mas também pelos relatos em seu diário que Mary havia achado na investigação; os relatos das amigas de Trish não foram o suficiente para mim, pois havia uma possibilidade delas estarem mentindo, por isso ignorei.
Mas, como eu já disse no início, fui enganada pelo roteiro - não pelas agressões que Trish sofria do namorado, pois isso só foi se provando com o desenvolvimento do roteiro -, pois a dúvida sobre quem havia matado o falecido permanecia e Trish teria muitos motivos para isso, o que quase se provou quando ela apontou um revólver para Mary quando a mesma a encontrou e disse que a levaria de volta para casa, o que rapidamente foi provado que Trish não o havia matado (a desconfiança sobre o namorado dela ser um dos suspeitos ainda permanecia para mim). Lá na frente, o roteiro apontou uma das mulheres do "trio ternura" como culpada, o que eu também quase acreditei, para logo ser provado como "engano".
Enfim, para a minha surpresa - o que não parecia ser tão óbvio antes, mas que fazia total sentido, a mãe de Trish declarou-se culpada pela morte do genro/agressor da filha. Eu realmente me senti uma idiota.
▪︎ A confusa função de Mary
Mary, a protagonista, foi apresentada na estória como advogada, contudo, mais pareceu uma detetive espiã a lá James Bond. De modo quase mágico, ela sabia com quem falar, tirar informações e quais informações. Ela praticamente se demitiu do emprego para fazer o papel de um agente perito, colocando até mesmo a sua vida em risco.
A única vez em que mostra Mary agindo como advogada, de fato, é quando, no final, ela diz que Trish não dará nenhum depoimento fora do tribunal e sem o seu consentimento - o que ainda fica um pouco raso, já que, para resolver o caso da mãe de Trish, precisaria de outro tipo de advogado: o criminal.
Não que tenha ficado tão forçado, mas achei que ficou aquém da profissão da protagonista.
▪︎ O falecido marido de Mary
Mesmo já sabendo que Mike, o marido falecido dr Mary, não seria uma peça-chave no roteiro, e nem fazer a menor diferença no enredo, achei que poderia ter sido dito melhor sobre ele e seu relacionamento com Mary, a causa de sua morte, mas algumas coisas sobre são explicadas de modo muito raso. Tive a impressão de que a autora só descreveu sobre um falecido marido de Mary para mostrá-la como uma mulher experiente em certos pontos, e também para ser um complemento do antigo "namorado", pois, assim como amou o seu primeiro homem, também amou o marido e, assim como perdera uma criança desse "quase relacionamento", isso serviria de gatilho para nunca ter conseguido conceber do falecido marido.
No entanto, nada se encaixa muito bem, além de apenas mostrar que a protagonista teve os seus traumas.
▪︎ A estranha "amizade" de Mary com o trio ternura
Talvez eu seja breve demais em minha análise, mas achei essa "amizade" de Mary com Giulia, Missy e Yolanda - o trio ternura melhor amigo de Trish - um pouco forçada nesse final. Tudo bem, ela teria de trabalhar junto das três para achar o paradeiro de Trish, (o que quase não obteve ajuda), mas me pareceu que elas construíram uma boa amizade no final, mesmo não havendo grandes interações entre as mesmas, além de Mary já ter sofrido bullying do quarteto quando eram crianças.
Realmente, não me convenceu.
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